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agosto 17, 2008

Patrulha da Praia: pioneirismo no litoral brasileiro com os ‘Dune Buggies’

Você já pensou como surgiram as ‘gaiolas’ e buggies no Brasil? O que você vai ver abaixo é história pura: o relato de nosso leitor Ângelo Lima, que descreve a emoção que o contagiou, na década de 60, e que corre em suas veias até hoje.

Saudações. Sou o leitor assíduo Ângelo Lima, morador de Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro. Não busco quaisquer lauréis ou reconhecimento mas foi assim que aconteceu, visto por meus olhos que agora equipam um adolescente de 60 anos.

Morava eu nos EUA, cerca 1967, quando era um comportado aluno do high school que no almoço tomava leite gelado com a comida, enquanto meu pai exercia posição no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Parei e fissurei logo ao chegar nos ‘Dune Buggies’ dos californianos e seus modelos únicos de fibra de vidro. No Brasil nem se falava nisto e o Fusca reinava absoluto, junto com o Karman-Ghia e Gordini.

Pois bem, comecei a juntar dinheiro para comprar uma destas carrocerias feitas na Califórnia. Queria a do Mayer-Manx, mas a grana era alta e optei por uma linda que parecia um puma encorpado e a pintura metalizada laranja que me custou mais U$ 120,00. No total morri em 700 dolares que consegui trabalhando em um restaurante chic na minha cidade. Me lembro bem que ia contabilizando as horas para que a grana chegasse, pois meu pai era contra e fez jogo duro (mas disse que levava na bagagem de navio). Quando fiz a conta, no tempo certinho fui la bati o cartão de ponto, disse ao gerente goodbye no meio do expediente e fuiiii…

Pois é, aí o caminhão do correio trouxe em meio a neve das ruas de um inverno, aquele engradado lindo com um troço cintilante dentro. O Primeiro Buggy do Brasil. Um ano depois já de volta ao Brasil e morando em Niterói mergulhei fundo na montagem, em uma oficina da cidade.Tudo era improviso e novo pois não havia modelo igual.

Montei aquela carrocerria linda que você pode ver à direita da foto do Primeiro Cross-Contry de Itauna-Saquarema a Praia Grande-Arraial do Cabo. Uma porrada: 50 km de terra de malboro com uma faixa de areia continua e muito, muito fofa.

Na foto os companheiros Penho(Carlos Eduardo – Itauna-Saqua), Rodrigo – o suicida e Patinha, com os primeiros bugres brasileiros, cópia dos ‘gringos’, fabricados na avenida Itaoca, Bonsucesso. Só quem tinha pneus largos de alta flutuação era aqui o degas pois. A rapaziada da Patrulha da Praia tinha que soldar dois aros com pneu biscoito e funcionava muito bem. Foi assim que na primeira vez, em 1972, levamos dois dias para fazer esta travessia, acampando na praia. Esta magnífica e paradisíaca faixa de areia fofa bem no meio do Atlântico levando a ponta Arraial do Cabo. Os mergulhos freqüentes em águas limpas e transparentes a camaradagem e o vinho temperaram esta real aventura e, nem se falava nisto, a careta tinha um toca fitas e headphones imensos KOSS.

Sempre fui fissurado por off-road, principalmente ‘dune buggies’. Sim, este é o nome certo. E esta máquina foi feita para andar na areia. No início dos setenta formei em Cabo frio, aonde morei inicialmente, um grupo de amigos, todos de buggies com PX e fazíamos grandes aventuras nas virgens dunas do Peró e Cabo Frio, e assim progrediu a Patrulha da Praia. Para mim as dunas oferecem um ambiente mágico e único, de solidão e compreensão de nosso mundo.

A uns 20 anos comprei um RV-Duna, feito pelo Paulo Rabe em Belo Horizonte. Foram os primeiros, cópias fiéis dos Chenowths californianos, pois o maluco foi lá e consegui os gabaritos. Estes tubulares são primorosos. Balanceados para pular sem nenhum vício, caem sempre bonito. As soldas tipo ‘MIG’ garantem a meu ‘Sand Rig’ ou ‘Aranha’ – ate hoje este biplace clássico que já ganhou todas as primeiras BAJA 500 no méxico – peso total com tanque cheio 500 kg. O nome de barco de areia se aplica, pois anda suavezito sem forçar o motor 1.600 mecânica de Brasília.

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