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Os dias no Marrocos
Por Alberto Fadigatti

Como era previsto, o Rally de Marrocos foi uma pedreira, devido ao tipo de piso encontrado no Marrocos e à grande quantidade de pedras ali existente. O Marrocos é um país lindo, com seu fascínio devido à sua arquitetura mundialmente personalizada. Passamos por Tanger, pois entramos via Espanha, de navio. Tanger é uma cidade grande, portuária, com  um forte sabor ocidental devido à sua proximidade com a Espanha e a "restos" de conquista da invasão Moura à Espanha.

De Tanger descemos a Casablanca, que é totalmente branca. O Marrocos tem várias cidades de cores uniformes, como Casablanca, que é totalmente branca, Marraqueche, que é totalmente cor-de-rosa, Fez, que é verde, e assim por diante. Mas Casablanca assistimos somente de passagem, pois teríamos que chegar a Quarzazate, do outro lado da cordilheira Atlas, em 12 horas, para que passarmos por uma vistoria técnica. Pé na estrada, chegamos a Marraqueche, onde estivemos por 2 horas, visitando superficialmente a cidade rosa. Saímos em diração ao Atlas logo ao entardecer, desconhecendo o que nos esperava à noite na cordilheira. Nunca vi nada igual em toda minha vida. Atravesei por diversas vezes os Andes, mas o Atlas é simplemente maravilhoso nesta época do ano. É uma coisa impressionante sua altura, simplesmente magnífico.

Após a vistoria, passamos para a competição. Logo no primeiro dia, perdemos a roda traseira esquerda, porque os parafusos se soltaram e a roda sismou em continuar o percurso sozinha. Com o fator sorte conseguimos chegar a outro concorrente quebrado e conseguimos emprestados 3 prisioneiros para a nossa roda quebrada, o que nos levou para a assistência e, conseqüentemente, possibilitou nossa continuidade na prova. Quebramos a tração dianteira e conseguimos chegar somente com tração traseira. Tivemos um pneu furado. Enfrentamos a pior tempestade de areia que já vi - contando com as que vi no cinema. Esta foi simplemente aterrorrizante, pois além de desconhecer o deserto, ficamos também sem visão além de 3 metros adiante do capô do carro. Foi muito difícil para todos os participantes, desde os mais experientes até os novatos de deserto.

Com todos estes desafios ultrapassados, chegamos, após 5 dias de competição, sob um calor de 57 graus centígrados, novamente a Quarzazate, onde recebemos a bandeirada final e vencemos mais esta etapa do Mundial. A partir de hoje estaremos voltados para a próxima etapa, que será em Portugal. Até lá e um grande abraço!

 

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