O crescimento do rally de velocidade no Brasil
por Cleso
Guimarães - Presidente do Rallye Clube de Minas Gerais
Acredito que o fator mais importante hoje para nosso esporte
é que, depois de toda a tempestade, o rally está
crescendo. É a partir deste prisma que devemos emitir
opiniões, conselhos e críticas, nesta ordem. É
a partir deste ano, que estamos órfãos de organizadores.
Estávamos acostumados com o Anderson (Nobre, ex-Presidente
da Comissão Nacional de Rally), que sempre, na medida
do possível, estava com seu staff nas provas. Então
ele era o "boi-de-piranha" e sofria toda a saraivada
de críticas. Parabéns para ele, que agüentou
todo este tempo nossas intempestividades.
Mas voltemos à questão. Temos dois tipos de pilotos
(ou duplas): os que só (!) cuidam de sua equipe e os
que se preocupam também em participar do evento. Não
é para criticar ninguém, apenas colocando que
eles são importantes e é importante esta separação.
Apenas temos que nos colocar cada um na sua, na hora de emitir
opiniões, conselhos e críticas, de novo nesta
ordem. Só quem organiza sabe o tempo que se investe e
a preocupação durante o evento, que sempre tira
um pouco da concentração na hora de competir.
Mas se é feito com amor e dedicação, vale
a emoção do dever cumprido.
Cheguei aonde queria. Somente cresceremos se soubermos todos
os detalhes inerentes à organização de
uma prova de rally. Mesmo que a CBA nomeie alguém, quem,
além de poucos que não podem exercer, seria capaz
de se responsabilizar pelo Campeonato Brasileiro de Rally de
Velocidade? Devemos dar um passo de cada vez e com calma. Neste
ano devemos, a cada etapa, enumerar as falhas e o que pode melhorar
para, no próximo ano, executar melhor e, talvez, no outro,
termos eventos realmente profissionais.
Quanto a patrocinadores do Campeonato, alguém teria coragem
de indicar um patrocinador? Acredito que queimaríamos
nosso filme. Temos primeiro que criar o costume de cada cidade-sede
fornecer a estrutura, através da prefeitura e apoiadores
locais; depois de pessoas treinadas para cronometragem, fechamento
de pista, secretaria etc. Quando estivermos afiados, aí
sim, estamos aptos para levantar patrocínio. Está
aí a diferença: nestes anos passados, só
as equipes evoluíram. Por isso as fábricas entraram.
Fiat, Seat, Mitsubishi, Subaru. Que maravilha! Aumentou nossa
responsabilidade, pois são os profissionais que cativam
os iniciantes. Quem não se lembra, no regularidade, da
equipe Gaucha-Car (foi com ela que me espelhei no esporte).
Seria bom que estes profissionais colocassem para seus patrocinadores
esta situação, que não é vexamosa,
e aproveitassem e colocassem a necessidade também de
um aporte, não financeiro, mas estrutural, de apoio ao
evento.
Finalizando, devemos nos unir em nossas diferenças, respeitando
o espaço de cada um, com uma visão direcionada
para a descentralização (regionalização)
das organizações dos eventos, respeitando critérios
de organização e evolução voltados
para a criação de um caderno comum de encargos,
para facilitar a criação de uma comissão
organizadora nacional dos eventos, também responsável,
a partir daí, por conseguir patrocinadores para nossos
eventos. |
|