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Desafio em Ibitipoca
Relato da experiência de participar do rally-2003 de Ibitipoca

por Rosa Maria Vilhena Bastos

É muito engraçado como nós, seres humanos, nos comportamos frente a novas experiências.

Eu estava muito ansiosa, aguardando o dia do rally de Ibitipoca chegar. Nutria muitas fantasias a respeito e havia muito preconceito, do tipo: Ir lá...? É só quebradeira! Você está pensando participar? Tá brincando? Lá é só para macho! Cuidado! Dá muito capotamento! Você é doida? etc... etc....etc...

Bem, eu como sempre gosto muito de desafios. E só indo "lá" para ver se era isso mesmo que diziam.

Então, fiz a minha inscrição na categoria "SENIOR". Fiquei surpresa pois não vi nenhum outro nome de mulher. Pensei: Ah! Ainda deve ser cedo e deve haver mais alguma.

Eu e meu filho, (Ronan) que foi meu navegador fomos todos animados com o "VITARINHA" atrelado à Ranger. Como eu estava em outra viagem na véspera, não deu para reservar hotel. Fomos na raça e coragem.

Tínhamos imaginado sair de BH pôr volta de 12:00; mas como toda dona de casa sempre há uns "finalmentes" de última hora. Por isso, saímos às 16:00, muito empolgados rebocando o meu "jipinho".

Passaram pôr nós alguns colegas que depois fomos encontrar lá em Juiz de Fora.

Chegamos no ponto de encontro: Carrefour as 19h30 e fomos logo para o stand da entrega dos "KITS" (camisas, adesivos, e duas folhas de programação para serem inseridas no "TOTEM")

Entramos na fila para vistoria do carro.

Muita gente bonita e animada.

Ah! Ia me esquecendo. Na saída de casa deixei minhas botas na área de serviço, e eu estava de chinelos. Então ainda tinha que providenciar uns (sapatos , tênis, bota ou coisa parecida) para o dia seguinte.

Sorte !!! O Carrefour ainda estava aberto. Então este problemazinho foi resolvido. Agora faltava resolver os outros . Desatrelar o carro, trocar os pneus e ainda arrumar um hotel. Com isso as horas foram passando e já eram 23h30 quando fomos procurar onde pudéssemos descansar nossos esqueletos. Por sorte achamos uma propaganda no muro da AV. Rio Branco e fomos em direção ao hotel. O atendente muito educado nos indicou um borracheiro 24 horas que nos ajudou a trocar os pneus.

Fomos dormir às 24h30 já muito cansados. No dia seguinte, como não podia deixar de ser, tomamos um farto café e fomos muito, muito ansiosos lá para o Carrefour.

Chegando lá, subimos a rampa de largada onde nos entregaram a planilha que mais parecia uma bíblia! Fomos entrevistados e ficaram muito surpresos por verem uma mulher participando na categoria "SENIOR".

Saimos com o coração acelerado, mais do que o motor do carro.Ë muito emocionante aquele agito todo.

Fizemos o deslocamento até realmente iniciar o rally.

A prova foi muito bem organizada. Os trechos e "pegadinhas" bem boladas. No 1* neutral que parecia mais uma festa de motoqueiros e jipeiros todos estavam alegres. No meio da prova uma amostra de cavalheirismo. Um colega que estava à minha frente adiantado demais; dei sinal de luz e ele educadamente deixou-nos passar. Isso sim foi inusitado, pois falavam tanto que os carros passavam uns por cima dos outros que este gesto nos chamou a atenção.

Terminamos a prova em Lima Duarte já ao entardecer.Estávamos muito cansados e eu com os braços doendo de tanto dirigir.

Aí sim começou outra aventura: a corrida em busca de onde dormir, pois a cidade estava cheia de eventos naquele final de semana.Mas como sempre a sorte esta do nosso lado. Conseguimos uma pousada na qual um casal muito simpático logo se prontificou a arrumar um apartamento. O senhor da pensão estava com "dó e inconformado" querendo saber porque uma mulher "tão educada, inteligente e bonita" estava tão empoeirada, cansada e feliz? Eu respondi: tem gosto pra tudo. Dormimos bem e no dia seguinte, depois de limparmos o pára-brisa, filtro de ar, conferir pneus e completar gasolina, estávamos prontos para iniciar outra batalha. Começamos muito bem, quando vimos um carro carrapatiando e foi engraçado, pois erramos uma referencia e ele atrás achando que estava o máximo. Passamos por carros num "enrosco" e quando acabamos de passar por um pc, ele levantou o polegar e deu um legal. A nossa moral foi lá pra cima, mas foi quando o meu possante já não agüentou mais.

É que o primeiro dia foi pesado, com passagem por vários rios com pedras e um areão que mais parecia que estávamos no Paris-Dakar. Um repórter correu para nos entrevistar, quando viu que era uma mulher que acabara de passar pelo sufoco do areão. Eu, na minha humilde fala, disse: é, passei por um sufoquinho, mas já estou acostumada...Só rindo né.

Quando meu carro perdeu a tração bem na subida com degraus de pedra, quase não acreditei. Estava indo tão bem e feliz com toda aquela emoção de ter passado por vários "marmanjos" que estavam enroscados, até o pc ficou com pena. Eu, mesmo assim queria continuar a prova no 4x2. Voltei ao neutral do posto Ipiranga e fui procurar o organizador, Manuel Rezende, para saber se poderia continuar a prova no 4x2. Ele olhou para mim, deu uma risada e disse: você quer acabar com as provas dos outros? Pois vai haver muitas dificuldades e depois você atrapalha quem vier atrás, mesmo assim insisti em mudar de categoria, passar para a light. Mas isto não podia, então a alternativa que restou foi ir para a chegada as 16h00. Subimos a rampa e nos foi ofertado um porta-retrato de Ibitipoca, com o retrato do meu jipe.

Fomos entrevistados novamente e o preconceito ainda nos persegue por sermos mulher, o jeito foi pegar nossas tralhas, trocar novamente os pneus, colocar a placa de segurança e atrelar o jipinho. Voltamos para casa felizes, mesmo tendo quebrado o carro, ficamos em décimo lugar e ganhamos muita experiência. Agradecemos a organização do Ibitipoca por podermos participar da prova que foi fantástica. Agradeço ao meu navegador e filho Ronan e até a próxima se Deus quiser. Foi bom demais...


 

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