Trilha
por Eraldo
Cardoso Santana
Tá quase na hora, animação geral, risos,
olhos brilhantes, verificação de itens de segurança,
tudo checado, os motores afiados, gozações à
parte adrenalina a mil, fervilhando o sangue.....
O comboio segue, deixando todos os outros donos de carros boquiabertos
diante de um desfile tão inusitado de veículos
4x4 seguindo pelo asfalto, veículos que já não
tem mais marcas, mas nomes com os quais os batizamos e por quais
são conhecidos, tornando-se assim parte da família,
nossas famílias. Eles seguem pelo asfalto, mas loucos
por terra, por mato, por lama, por lugares onde se deixa a cidade
para trás e nos encontramos com o nosso eu mais íntimo...
Os homens alimentam o sonho de um dia possuir uma máquina
maravilhosa que os façam voltar no tempo, voltar a sentir
as emoções de liberdade, correndo por campos,
entrando em rios, brincando por entre as árvores... Nós
descobrimos essas máquinas maravilhosas, elas existem
aos montes, e estão disponíveis para quem tem
espírito aventureiro, desbravador, criativo. Nos transportam
para onde nossa infância sempre esteve.
Amigos, pessoas que se ajudam que sentem como é bom estar
ali, no lugar errado, no pior momento, só para ter o
prazer de ajudar de poder dar sua opinião, todas ao mesmo
tempo é bem verdade, mas que no fim sempre dá
tudo certo, ou pelo menos quase sempre.
Os desafios que nos pedem para serem vencidos são para
nós aquilo que nos dá uma injeção
de adrenalina, o grito que explode dentro de nós ao ver
o obstáculo sendo superado é o que nos motiva
a continuar sempre em frente a nos aventurar ainda mais, sem
medo mas com segurança, pois amamos nossas máquinas
e a nós mesmos.
Gratificante é chegar no dia seguinte ao trabalho e ouvir
dos colegas que o fim de semana foi muito "bravo"
ao verem no estacionamento nossas máquinas ás
vezes cheias de poeira, outras vezes cheia de lama, tendo um
ar de impossibilidade. Muitos olham com desprezo tamanha sujeira
percorrendo as límpidas ruas de Brasília, mas
muitos mais, olham com uma pontinha de inveja, pois passaram
todo o final de semana dentro de seus apartamentos e queriam
mesmo é sentir a liberdade de estar em nossos lugares...
E quando chega o dia de se reunir durante a semana, lá
estamos nós com as "figurinhas" de nossos heróis
nas mais diversas situações, mostrando com orgulho
tudo o que fizemos na trilha que se passou. Apesar da idade
avançada de alguns, eles insistem em serem novos com
toda a tecnologia que os presenteamos sempre estando de igual
para igual com os mais modernos que existem.
Estar assim com os amigos não tem preço, mesmo
porque não se pode pagar nada pelo bem que a natureza
nos concede, devemos é sempre preservar os caminhos,
os maus caminhos para que eles estejam sempre lá, de
forma que nossos filhos que muitas vezes nos acompanham nessas
loucuras, nunca percam o vírus que os contamina por convivência.
Isso é ser jipeiro, ir onde nossas máquinas nos
levam sempre rodeados de amigos, de pessoas que literalmente
estão conosco nos piores momentos, não por conveniência,
mas por puro prazer...
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