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Comunicando-se no off-road...

Neste final de século, a telecomunicação é a chave para globalização e redução entre distâncias. Mas o que toda esta tecnologia pode proporcionar, para quem deseja se embrenhar pelas selvas e rincões perdidos deste mundo? A resposta para tanta facilidade técnica é simplesmente segurança. A possibilidade de falar de qualquer lugar imaginável, como do meio da floresta amazônica para a sua residência em qualquer lugar do Brasil, tem muitas opções técnicas. As modalidades e equipamentos, para atividades outdoor, estão divididos basicamente em 3 categorias:

Rádio Cidadão

É a modalidade mais popular que qualquer pessoa pode operar, basta requisitar uma licença junto ao escritório da MINFRA mais próximo de sua cidade. Podendo ser utilizado livremente, tanto com equipamentos instalados em casa, como no trabalho, ou em veículos. O serviço de Rádio Cidade, também conhecido por Faixa do Cidadão, CB ou PX, é o preferido do público, devido a facilidade de instalação.

Ocupando o espectro de ondas curtas entre 26 e 27 MHZ, o Serviço de Rádio Cidadão opera na faixa que é refletida pela Ionosfera. Disso pode-se tirar grande proveito, já que as ondas de rádio viajam até a Ionosfera e são refletidas de volta para a Terra. Com esse comportamento o sinal viaja o mundo todo, dando saltos de subida e descida continuamente até perder a intensidade.

Então, pode-se concluir que com dois equipamentos bem instalados e sabendo-se o horário ideal, é possível realizar uma conversa radiofônica intercontinental com toda segurança e baixo custo.

O tamanho da antena também está diretamente ligado à faixa de operação do equipamento, pois quanto menor a antena, maior a freqüencia de operação. Para a Faixa do Cidadão, as antenas nos veículos devem ter em média 2,73 metros de comprimento, o que é na verdade apenas 1/4 do comprimento total da onda, que tem em torno de 11 metros. São as famosas "maria-mole", que geralmente são vistas em Jipes e caminhões, rodando pelas estradas do Brasil e do mundo. Para incursões fora da estrada, a antena de aço "maria-mole" é a melhor opção, já que é bastante flexível e capaz de suportar melhor a passagem entre galhos de árvores e folhagens, de uma trilha estreita.

Os equipamentos de rádio basicamente se dividem em dois tipos: o primeiro, que tem seu preço em torno de U$80,00, apresenta apenas uma modalidade de transmissão que é a Amplitude Modular_AM. Ela permite os contatos diretos, que raramente excedem 10 quilômetros de distância, e os intercontinentais se a propagação for bastatne favorável, ou seja, estiver aberta: o segundo tipo trabalha na modalidade SSB- Single Side Band, ou simplesmente "Banda Lateral Única", como é conhecido entre os operadores, sendo o mais adequado para quem deseja contatos com regiões distantes do Brasil e exterior. Seu custo é maior, variando de U$150,00 a U$300,00, mas o investimento vale cada dolar gasto. Com um equipamento deste, é fácil e barato enviar mensagens de qualquer lugar, com distância a partir de 2000 quilômetros do local de transmissão. Mas porque esta distância? Acontece, que o sinal de rádio reflete na Ionosfera, antes de retornar para a Terra, e a distância mínima entre os saltos, para a freqüencia de operação da Faixa do Cidadão, varia em torno dos 2000 quilômetros.

Essa distância, entre os pontos de salto, é considerada como área de sombra ou zona de silêncio. Se você estiver dentro dela não conseguirá contato de jeito nenhum, a não ser que haja uma anomalia nas reflexões de sinal, ocasionada pelas atividades solares. Cada faixa de freqüência sofre a influência da Ionosfera de maneira distinta, sendo que, a partir de uma certa faixa do espectro o sinal não reflete mais, furando a camada em direção ao espaço. Este comportamento é explorado, então, pelos satélites, comunicações entre naves espaciais e centros de controle. Bacana, não é mesmo?

Rádio Amador
Este serviço de comunicação é o mais completo a disposição do cidadão comum. É um passa tempo que nasceu de forma semelhante ao da prática do "fora de estrada" , com equipamentos considerados sobras de guerra, que chegaram às mãos da população. Entretanto, para se obter lincença de operação o candidato a radioamador precisa fazer um curso preparatório de ética de operação, aprender o código fonético e o temível, mas inofensivo, Código Q. Para algumas classes de operação o conhecimento de eletrônica e Código Morse é essencial.

O código fonético é simples e é usado por toda e qualquer pessoa que utiliza radiocomunicação.
- Na verdade, eu penso que ele deveria ser ensinado nas escolas, para que não ouvíssemos telefonistas e profissionais de telemarketing dizendo coisas como: "o nome que o senhor disse é J de jacutinga, O de ornitorrinco, A de asmático e O de ornitorrinco?"

Sua função, além poupar os ouvidos das barbaridades faladas ao telefone, é facilitar a identificação de letras e palavras em um único padrão mundial, em contatos difíceis e com péssimas condições de propagação. Quando necessitar transmitir um endereço, soletrar algum nome ou palavra mais complicada, use o código, veja como é.

Já o código Q pode parecer um pouco complicado, principalmente se você tentar decorar ou aprender toda a lista, que geralmente é utilizada na aeronáutica e em serviços militares. Para o radioamador e Faixa do Cidadão, o código pode ser resumido em uma lista menor, normalmente cedida junto com a apostila para o exame de seleção do MINFRA. De qualquer forma, aqui estão alguns códigos mais usados entre contatos radiofônicos de radioamadores e rádio-cidadãos.


Telefonia Celular Via-Satélite
Este tipo de telefonia por rádio, que desmbarcou no Brasil nos últimos anos, já é comum em outros países. E possui uma série de alternativas, que resolvem muito bem as necessidades de comunicação de profissionais e grupos de aventureiros. Pode-se a grosso modo citar dois sistemas mais populares em uso no Brasil, o equipamento Nera World Fone e o Globalstar, que recebeu os clientes do sistema Iridium, que teve suas atividades encerradas. Os dois sistemas, Nera World Fone e Globalstar, cobrem o planeta a partir de suas próprias malhas de satélites em órbita.

O Nera World Fone é basicamente uma maleta tipo 007, com um telefone via satélite embutido. A antena é a própria tampa da maleta e deve ser posicionada em direção ao satélite mais próximo de suua localização. O seu funcionamento é simples, portanto pode ser operado por qualquer pessoa, basta apenas aquisição do aparelho e o cadastramento junto a concessionária do serviço. O sistema é administrado pelo consórcio internacional Inmarsat e possibilita a transmissão de voz, dados e imagens.

Já os sistemas Globalstar e o antigo Iridium, tem equipamentos menores e mais portáteis que o Nera. Entretando, eles não tem grandes aptidões para a transmissão de dados, por isto priorizam basicamente o tráfego de voz. Um sistema de "pager" mundial está à disposição do público brasileiro, também, através da rede Globalstar/Iridium, ele pode facilitar muito o envio de mensagens entre equipes e suas bases/cidades de origem.

O custo de todo esse conforto é mais alto do que os equipamentos de Faixa do Cidadão e Radioamador, porém, com isto, ganham-se mais opções para comunicações em qualquer aventura ou trabalho, que for realizado "longe da civilização".


Texto: João Roberto de Camargo Gaiotto - Técnica 4x4 - Guia de Condução Fora de Estrada

 

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