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Pantanal pela Rota das Fazendas
Por: Marcelo Fuzinato

O Mato Grosso do Sul abriga 2/3 da área do Pantanal. Reconhecido como uma das mais exuberantes e diversificadas reservas naturais do Planeta, manifestado pelo título de Patrimônio da Humanidade, dado pela Unesco, é uma fonte de riqueza turística para o Estado. De novembro a março, o Pantanal vive o período das cheias. A vegetação muda segundo o tipo de solo e de inundação, predominando espécies de cerrado nas terras arenosas - conhecido como Pantanal Alto - e gramíneas nas terras argilosas, do Pantanal Baixo. Com as cheias, as depressões são inundadas, formando extensos lagos, reconhecidos como Baías, de extrema beleza, principalmente se forem alcalinas, apresentando diferentes cores em suas águas, de acordo com as algas que ali se desenvolvem e criam matizes de verde, amarelo, azul, vermelho ou preto.

Este verdadeiro patrimônio ecológico, habitado por incontáveis espécies de mamíferos e répteis, de aves e peixes, tem uma vegetação exuberante e é traduzido em movimento de formas, cores e sons, sendo um dos mais belos espetáculos da Terra. Quem visita o Pantanal sul-mato-grossense certamente compreende a necessidade de conservar e proteger esse patrimônio inigualável, que a natureza reservou ao Homem.

E foi justamente o que fizemos, organizamos um roteiro através das fazendas pantaneiras, onde o acesso praticamente só é possível na época das secas, essa é a melhor época para se conhecer o pantanal, os animais estão sempre próximos aos alagados facilitando serem avistados, são inúmeras espécies, jacarés, cervos, tamanduá, tatú, pássaros de vários tipos e cores, como o tuiuiú a maior ave voadora, araras canindé, azul e vermelha, colhereiros e muitos outros.

O roteiro
Localizado nos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, o Pantanal, uma planície de mais ou menos 230.000 quilômetros, espalha-se por quatro países - Brasil, Argentina, Bolívia e Paraguai. É cercado ao norte pelas serras dos Parecis, Azul e Roncador; a leste pela serra de Maracaju; ao sul pela serra da Bodoquena; a oeste pelos charcos paraguaio e boliviano. O Pantanal mato-grossense, que se inunda e se renova a cada estação chuvosa, divide-se em dez sub-regiões: Cáceres, Poconé, Barão de Melgaço, Paraguai, Paiaguás, Nhecolância, Abobral, Aquidauana, Miranda e Nabileque. Há aeroportos nas cidades de Campo Grande, Corumbá e Cuiabá.

Partimos de Rio Verde do Mato Grosso do Sul e após alguns quilômetros adentramos sentido oeste pelas Rotas das Fazendas, são estradas para veículos 4x4 que cruzam o pantanal selvagem de leste para oeste. A informação é precária e a cada fazenda tínhamos que obter informações sobre o próximo destino e a direção correta a ser seguida. A travessia foi feita em quatro dias e "retornamos" a civilização próximo a cidade de Miranda, cerca de 110 quilômetros ao norte dessa cidade.

Nesse tipo de travessia a opção foi acampamento nas fazendas onde passamos, de um modo geral o povo pantaneiro é acolhedor e muito simpático. A hospedagem era feita em nossas barracas e utilizávamos o banheiro e lugar para lavar a louça na fazenda.

Quase todos os lugares eles faziam questão de nos servir um delicioso café, geralmente acompanhado de queijo feito ali mesmo. No meio do Pantanal encontramos uma fazenda que está estruturada para recepcionar turistas, é a fazenda Quatro Cantos (67 232-1275 / 9957-2539 ou e-mail fazendaecologica4cantos@ibest.com.br).

A cada dia que avançamos em direção oeste a paisagem ficava mais bonita e mais selvagem, os alagados aumentavam de tamanho, as dificuldades de travessia, o acesso a informação complicava, mas a sensação de estar num ambiente assim tão selvagem era indescritível.

O último dia nos reservava muitas surpresas, após um belo café-da-manhã ainda com as barracas montadas sobre os jipes, seguimos para nossa última travessia de vários alagados, as informações eram superficiais e diziam que não passaríamos pelos curixos, mas mesmo assim seguimos... Em trechos mais profundos, alguns integrantes precisaram ser socorridos por outros, mas com espírito de equipe todos conseguiram se safar, apesar da molhadeira geral nos carros que ficaram enroscados.

No final do dia depois de atravessarmos toda a parte selvagem do pantanal chegamos as margens do Rio Miranda, onde o grupo se separou para seguir viagem e seus compromissos pessoais, uns seguiram para Bonito pela Serra da Bodoquena, outros seguiram para São Paulo e uns ficaram para passar a noite nas margens desse rio.

Mas a satisfação da realização de um caminho diferente das costumeiras transpantaneira e suas inúmeras pontes, de Bonito e suas dezenas de águas transparentes e turisticamente conhecida, era gratificante.

A expedição foi realizada por três Toyotas Bandeirante, um Suzuki Samurai e uma Land Rover 110, num total de 10 pessoas. Maiores informações, dicas e fotos do local veja em http://www.gaiaexpedicoes.com, realização e organização GAIA Expedições.

 

 

 

Dotzi Planeta Off-Road
geral@planetaoffroad.com


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