Mapa do Site Primeira Vez? Publicidade
Rodeio
 

Abertura > Jipe do Mês > S-10

Conhecendo a campeã

Quando a Chevrolet Rally Team surgiu no cenário do rally off-road, em meados de 99, muitos não "botaram muita fé". "S-10?!?! Esse carro não agüenta rally!!!", diziam alguns. Primeiro veio a "Mad Max", uma S-10 americana, com motor V6, que, depois de uma apresentação desastrosa no Rally Internacional dos Sertões, terminou aquele ano como Campeã Geral da Copa Dunas de Rally, vencendo todas as provas de que participou, sob o comando de Luciano Cunha e Detlef Altwig.

Mas a consagração das S-10 de corrida veio mesmo em 2000, quando os modelos a movidos Diesel passaram a competir. Logo na primeira etapa da Copa Dunas, na Serra da Canastra, Edio Füchter e "Costinha" levaram o primeiro lugar geral, ficando à frente de modelos mais potentes e potencialmente mais rápidos, como os respeitados Mitsubishi Pajero. Começava-se a respeitar a S-10. A cartada final veio mais tarde, no Rally dos Sertões: Füchter, desta vez tendo Luís Tedesco como navegador, conduzindo uma S-10 Diesel, assumiu a liderança da competição já nos primeiros dias e, em uma performance impecável, chegou a Fortaleza, destino final do rally, com uma vantagem de cerca de uma hora em relação ao segundo colocado (o "discutido" erro de navegação da dupla na etapa final, alvo da briga judicial entre a Chevrolet e  Mitsubishi, que se estende até hoje, é uma outra história). A S-10 havia passado no teste...

Diante da curiosidade gerada pelo carro em 2000, Planeta Off-Road foi atrás da Chevrolet Rally Team e da Off-Limits, empresa responsável pela preparação das picapes, e agora traz para seus leitores todos os detalhes da preparação das S-10 de competição (que inclusive serão comercializadas a partir deste ano). Confira!

Chassis / Estrutura
O serviço de preparação das S-10 de competição é feito em Belo Horizonte-MG, na indústria de autopeças TTM. Ao chegarem da fábrica da GM, as picapes são totalmente desmontadas e todas as soldas de componentes incorporados às longarinas do chassis são reforçadas. Na parte da frente, é introduzida uma peça, no sentido perpendicular ao das longarinas, que tem a função de travar as ponteiras das mesmas, impedindo o seu "fechamento" nas condições severas a que o carro é submetido em uma competição. Esta peça servirá também como ponto de fixação do peito de aço, feito com uma chapa de duralumínio com 6 milímetros de espessura.

O chassis original da S-10 recebe várias novas peças, fabricadas pela TTM exclusivamente para o modelo de competição. Os suportes originais dos amortecedores dianteiros são substituídos por outros, reforçados, preparados para receber dois amortecedores por roda (um que é fixado na balança superior e outro na inferior). É adaptado ainda um suporte para o batente hidráulico da suspensão dianteira (ver parte de suspensão). Ainda na parte da frente, o carro recebe uma peça que tem como função travar a carcaça do diferencial à longarina e coxins especiais para a fixação do motor ao chassis, com buchas de poliuretano. Os coxins traseiros, da caixa de marchas, também são substituídos. Protegendo o motor contra impactos frontais, entra uma grade (quebra-mato), ligada direto ao chassis, substituindo o pára-choques original.

Na parte traseira, o chassis recebe pontos de fixação para macacos hi-lift (modelo de macaco mecânico, de grande confiabilidade e utilidade), e reforços nos pontos de fixação dos feixes de molas traseiros. Os pontos de fixação dos amortecedores traseiros (02 por roda) também são feitos especificamente para a picape. Além disso, o carro ainda recebe pontos de fixação para os dois pneus reservas (na região onde seria a caçamba) e pontos para apoio e fixação da gaiola de proteção.

Aliás, a gaiola de proteção é um ponto que merece comentário à parte. Desenvolvida de acordo com o regulamento da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), a gaiola obedece a um "formato" pré estabelecido e o material utilizado na construção da mesma segue especificações rígidas deste regulamento (espessura dos tubos, espessura das "paredes" dos tubos etc.). A construção do arco principal (ao fundo da cabine) e dos arcos laterais (que ligam o principal ao chassis, na parte dianteira da cabine) como "peças únicas", sem emendas, são algumas das regras seguidas durante o desenvolvimento da gaiola. Os "x" das portas podem ser construídos com tubos mais finos, mesmo assim a TTM utiliza os mesmo tubos de 45 mm usados no restante da gaiola também nestas peças.

Todos os pontos de fixação da gaiola ao chassis recebem buchas de poliuretano, de grande densidade, com objetivo de dar maleabilidade (capacidade de torção) ao conjunto. Na cabine, a estrutura da gaiola é soldada à chamada "placa base", uma chapa de reforço do assoalho, colocada também por força do regulamento da FIA.

Suspensão
Todos os amortecedores originais da S-10 são retirados e substituídos por amortecedores especiais, da marca Bilstein, pressurizados, com regulagem da pressão do nitrogênio, permitindo que o piloto possa ter um carro mais duro ou mais macio, de acordo com o tipo de terreno enfrentado. Cada roda recebe dois amortecedores.

Na parte dianteira, a picape recebe ainda um batente hidráulico, que tem como função absorver o peso do carro - cerca de 1.750 kg - em situações de grande impacto, como nos saltos, freqüentes em um rally, em que os amortecedores normais atingem o fim do seu curso. Desta forma, a peça, que na verdade é um amortecedor com 04 polegadas de curso e 01 polegada de diâmetro, amortece - hidraulicamente - a queda.

Na parte traseira, além da substituição dos amortecedores, é retirada a mola de carga dos feixes de molas originais, sendo mantidas as outras três molas restantes em cada feixe.

Cabine
A cabine da S-10 sofre uma série de modificações para se adequar ao regulamento da FIA, a começar pela intrudução da gaiola interna de segurança, já citada anteriormente. Os bancos originais são retirados e substituídos por modelos de competição (no caso dos carros da Chevrolet Rally Team, bancos da marca Sparco). Para se ter uma idéia do nível de detalhamento do regulamento, até mesmo o ângulo de inclinação dos bancos em relação ao assoalho é pré estabelecido e eles são afixados em suportes construídos especificamente para tal finalidade. São instalados também os cintos de segurança de competição, com três polegadas de largura e cinco pontos de fixação. A instalação dos pontos de fixação dos cintos também segue normas rígidas quanto à angulação em relação ao ombro dos tripulantes, entre outras.

Toda a forração interna original do carro é retirada, ficando apenas os tapetes de borracha. O assoalho recebe a "placa base", em duralumínio. O vidro traseiro é substituído por uma chapa de policarbonato, assim como as janelas laterais, das portas de fibra de vidro. O pára-brisa das picapes de competição é o original do carro.

O painel de instrumentos original da S-10 é mantido, porém fixado à estrutura da gaiola. Todo o circuito elétrico do carro é refeito, eliminando-se os componentes originais do carro de série não utilizados no de competição. É mantida apenas a fiação necessária para o acionamento dos instrumentos do painel (velocímetro - com sinal digital da caixa de marchas -, conta-giros e marcadores de temperatura, combustível e pressão do óleo.

O interior da S-10 de corrida recebe ainda volante de competição (Sparco, no caso dos carros da equipe), sistema de segurança contra incêndio (tubulação direcionada à cabine, ligada a um extintor de 4 kg, que pode ser acionado de dentro ou de fora do carro), chave-geral, e passa a abrigar o filtro de ar (ver parte sobre motor).

Carroceria
Apenas a estrutura da cabine original da S-10 é mantida nos modelos preparados para competição. Assim como as portas, já citadas anteriormente, o capô, os pára-lamas dianteiros e as laterais da caçamba são substituídos por peças em fibra de vidro. O alívio de peso conseguido pelas peças de fibra é compensado pelo peso da parte estrutural do carro (gaiola, suportes e reforços), o que faz com que o modelo de competição tenha quase o mesmo peso do original (1.750 kg - competição / 1.800 kg - original).

Pneus e Rodas
A S-10 de competição recebe pneus nas medidas 31x10,5x15, maiores que os do modelo de série. As rodas podem ser de liga-leve ou de ferro. Estas últimas são mais confiáveis, permitindo até mesmo, em algumas ocasiões, que o piloto termine uma corrida com o pneu "no osso". Em um caso semelhante, com uma roda de liga-leve, a mesma certamente se quebraria.

Motor
O motor das S-10 de competição é o mesmo MWM 2.8 Diesel / turbo / intercooler que equipa os modelos de série. Trata-se de um motor Diesel de alta rotação, que desenvolve originalmente 132 cv. As picapes comercializadas no mercado serão fornecidas com este motor, em sua configuração original, ficando a preparação por conta de cada piloto.

Segundo Pedro Barroso, Diretor da Off-Limits consultado por nossa reportagem, a preparação dos motores dos carros da Chevrolet Rally Team foi feita pela própria MWM e envolveu basicamente regulagens. O ponto da bomba injetora foi modificado e os bicos injetores substituídos. Ainda segundo Barroso, são utilizados nas picapes de corrida a turbina e o intercooler originais da S-10, sendo que apenas este último item é reposicionado, saindo da parte de baixo do motor e passando para a frente do mesmo. Além disso, a única modificação que o carro de competição sofre é a passagem do filtro de ar - maior que o original - para dentro da cabine, o que permite ao motor "respirar" mais livremente, e o deslocamento da bateria - original - para a parte de trás do carro, ficando a mesma posicionada na região da caçamba, com suporte afixado ao chassis. O sistema de arrefecimento das picapes também é o original. Com esta nova configuração, os carros da Chevrolet Rally Team chegam a desenvolver 165 cv.

Câmbio
O mesmo câmbio NGV de 5 marchas que equipa os modelos originais GM é utilizado pelas picapes de competição (e será fornecido nos carros comercializados). Nos carros da Chevrolet Rally Team, as marchas passam por um reescalonamento, ficando com uma relação semelhante à da S-10 V6 a gasolina. Este reescalonamento tem como objetivo, principalmente, a obtenção de uma primeira e de uma segunda marchas mais longas. A GM atualmente estuda, junto à Eaton-Clarck, o desenvolvimento de um câmbio nacional para a linha S-10, para substituir o NGV (importado), mas a previsão é de que este câmbio seja fornecido a partir de 2003 ou 2004.

Tração
No início do ano 2000, os mecânicos e preparadores dos carros da Chevrolet Rally Team estavam optando por substituir o sistema "eletro-vácuo" de engate da tração nas quatro rodas e da redução - original de fábrica - das picapes da equipe por um sistema mecânico, acionado por alavanca. A picape de Edio Füchter e Luís Tedesco, vencedora do Rally dos Sertões, utilizava este sistema. O sistema original foi testado nas últimas provas do Campeonato Brasileiro de Rally Off-Road e mostrou-se bastante confiável, enfrentando água, areia e diversas outras situações sem apresentar problemas. Atualmente, o sistema de alavancas foi abandonado e vem sendo utilizado o sistema original, acionado por botões no painel.

Freios
É utilizado o sistema de freios original das S-10 de série nas picapes de competição.

Iluminação
O conjunto faróis / faroletes / lanternas das S-10 de competição é o mesmo do modelo original de fábrica. As picapes de corrida recebem apenas, por força de regulamento, mais quatro lanternas (duas de ignição - se acendem quando o veículo esta ligado - e duas de freio - auxiliares), que ficam posicionadas acima do vidro traseiro da cabine, presas à gaiola de proteção.

Segurança
Quase todo o sistema de segurança das S-10 de competição já foi citado anteriormente. Além da gaiola, construída com tubos de 45 mm de diâmetro, que envolve todo o carro, são instalados ainda um sistema de chave-geral, que corta instantaneamente todo o circuito elétrico e que pode ser acionado de dentro ou de fora do carro, e um sistema de extinção de incêndio, também de acionamento interno ou externo, que consiste em um extintor de 4 kg ligado a uma tubulação dirigida à cabine, ao tanque e ao motor.

Consulte a ficha técnica para obter informações específicas sobre o desempenho das S-10 de competição.

 

 

 

Dotzi Planeta Off-Road
geral@planetaoffroad.com


Aviso Legal
Privacidade
Créditos