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O Land Rover que o mar nunca devolveu
Em janeiro de 1990, um Land Rover Série IIA 1968 ficou preso na areia de Hayle Beach, na Inglaterra, durante a maré cheia e acabou virado e soterrado após uma sequência de tempestades. Mais de três décadas depois, o 4×4 continua enterrado na faixa de maré baixa e, de tempos em tempos, reaparece parcialmente quando as areias se movem — um lembrete silencioso da força do mar e dos limites até para os utilitários mais robustos.
Em 13 de janeiro de 1990, um passeio em família terminou de forma improvável na costa da Cornualha, no Reino Unido. Ronnie Hanney decidiu levar a esposa e as filhas até a faixa de areia de Hayle Beach a bordo de seu Land Rover Safari Série IIA 1968. O utilitário, ainda com a inscrição “Merry Christmas Cornwall” pintada na lateral, desceu até a beira d’água como tantos outros 4×4 já fizeram ao longo das décadas. A diferença é que, naquele dia, a maré e a areia não perdoaram.

O Land Rover, que pesa cerca de 1.500 quilos sem carga, acabou preso na areia fofa. As rodas traseiras giravam em falso enquanto a maré subia. A família ainda tentou buscar ajuda, mas o avanço da água foi mais rápido. Quando o nível do mar atingiu o veículo, não havia mais o que fazer. O 4×4 foi abandonado na praia, à mercê da maré cheia e das condições climáticas que, naquele janeiro de 1990, eram particularmente severas no Reino Unido, marcado por fortes tempestades.
No dia seguinte, a cena já era outra. O Land Rover estava de cabeça para baixo, parcialmente soterrado, com apenas parte do chassi e as rodas visíveis. O fato de o veículo ter capotado chama atenção até hoje. Em condições normais, um automóvel precisa de profundidade significativa para girar completamente, e a tendência é que afunde mantendo a posição original. A combinação de maré alta, ondas fortes e tempestades provavelmente criou um cenário extremo o suficiente para virar o utilitário e iniciar seu processo de sepultamento definitivo sob a areia.

Desde então, o Land Rover permanece ali, enterrado na linha de maré baixa, abaixo da região de Mexico Towans e nas proximidades de Beachside Holiday Park, na baía de St Ives. Ao longo de mais de três décadas, a dinâmica natural da praia — com tempestades de inverno e períodos de maré excepcionalmente baixa — ocasionalmente desloca a areia e revela fragmentos do 4×4. Em alguns momentos, surge a roda traseira do lado do passageiro, curiosamente ainda com o pneu aparentemente cheio. Em outros, parte do chassi reaparece antes de ser novamente encoberta.

O veículo se transformou em uma espécie de cápsula do tempo involuntária, soterrada sob metros de areia e água salgada. A cada reaparição, reforça tanto a força implacável do ambiente costeiro quanto a robustez estrutural dos antigos Land Rover Série IIA, projetados para enfrentar condições adversas. Diferentemente de destroços removidos ou completamente desintegrados, este exemplar permanece onde tudo aconteceu, como um vestígio congelado de um erro de cálculo em um cenário que não perdoa distrações.
Mais de 30 anos depois, o Land Rover de 1968 continua ali, invisível na maior parte do tempo, mas nunca totalmente desaparecido. Enterrado na areia de Hayle Beach, ele ainda “dá as caras” de tempos em tempos — lembrando que, no encontro entre maré, areia e metal, a natureza sempre tem a última palavra.


Sobre o autor
Adriano Rocha é fundador e editor do Planeta Off-Road, GoBici e Bike Kids Brasil. Especializado no universo de duas e quatro rodas, vive o off-road em todas as suas formas há mais de 30 anos e dedica-se a produzir conteúdo técnico e inspirador para quem não se contenta com o asfalto.
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